VAMOS ESPERAR PARA VER

Nuno Cunha

 

 

 

 

 

 

 

         
 
 

 

     A história foi contada por Stephen Kanitz, e passou-se em Harvard, o caso prático era um dos muitos que passavam pelas aulas de um dos professores e era sintomático do presente: uma empresa estava em dificuldades financeiras. Rapidamente um dos solicitados alunos traçou uma estratégia para a salvação. Despediam-se 700 Funcionários dispensáveis, baixavam-se os custos fixos, melhorava o cash flow, diminuía a necessidade de endividamento, e blá-blá, blá-blá e já estava. Os alunos aplaudiram e quando acalmaram, o professor olhou para o aluno e disse-lhe:

     - «Levante-se, saia da sala e nunca mais volte a Harvard».

     - «Desculpe, não percebo», disse aquele aflito.

     - «Já lhe disse saia da sala e JÁ!», gritou.

     A turma estava num silêncio de morte e o aluno pegava nas coisas, sem saber muito bem o que fazer. Afinal era administrador de uma multinacional de sucesso e estava a ser posto na rua em Harvard…

     Ao caminhar cabisbaixo ainda viu o professor de dedo esticado em direcção à porta. Os colegas nem queriam acreditar. Mas no último momento, quando já rodava o manípulo da porta ouviu a voz do professor:

     - «Agora você já sabe o que é ser despedido sem nenhuma piedade sem razão nenhuma. Pode voltar ao seu lugar».

     E depois, concluiu o que todos sabemos: que os despedimentos deviam ser a última opção e que se pensarmos do ponto de vista global quanto mais pessoas forem despedidas maior será a recessão, menor será possibilidade de êxito para qualquer empresa. Segundo Kanitz o truque está na capacidade de se poupar na altura das vacas gordas para se poder gastar nas vacas magras. Mas isso foi Kanitz que disse, eu só o copiei.”

      in “Marketing & Publicidade”  Nº40 de Dezembro 2001

 

      Nota: Vamos esperar para ver, se algo do género vai abrir os olhos dos nossos jovens e velhos empresários, que pensam ter o REI na barriga. Pensam sobretudo neles próprios e estão-se lixando para o povinho que trabalha para eles…

     Uma das poucas coisas com que se preocupam é evidenciar riqueza, opulência, porque só assim conseguem ter os amigos por perto, mas esquecem-se que os seus verdadeiros amigos, senão os únicos, é precisamente o povinho que para eles trabalha.

     Portanto senhores empresários não queiram continuar a passar por intocáveis, com esses carrões comprados em leasing ou ALD. Sejam humildes e nunca se esqueçam de onde vêm, pois só assim poderão saber para onde se dirigem…

 

      Nuno Miguel Cunha do Vale Quaresma

 

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