A OUTRA VIA

por António Sérgio Damásio

 

 

 

 

 

 

 

         
 
 

     Sobre as questões da água, já que a agricultura, as pescas, o turismo e outros sectores estão devidamente servidos pelas novas vias, apraz-me escrever estas linhas. As outras, as vias, sabei, têm sido estruturadas para permitirem uma «inundação» rápida dos expositores de grandes e pequenos espaços comerciais. São os imperativos derivados das regras de normalização, com estatutos tão notáveis que o «made in Portugal» não resistiu, não seduziu, não seduz, não é marca. Claro que existem excepções. Ainda conseguimos encontrar réstias de produtos, oriundos de alguns dos nichos ecológicos de excelência deste país, que uns tantos ainda conseguiram preservar resistindo à implementação de recomendações absurdas e desastradas.

     A outra via é uma visão do Alqueva. Iniciemos a viagem a partir da origem da nossa linha de água mais nobre, o Zêzere. Depois da Serra da Estrela é ao longo do seu curso emparedado entre três albufeiras e lançado no Tejo. A partir deste ponto, à parte as vicissitudes da viagem, é sobejamente conhecido o fim. Resume-se numa palavra – desperdício.

     A outra via, custos esquecidos com os investimentos já realizados na Aldeia da Luz e com os valores irrisórios dispendidos com as expropriações, seria a criação dos canais de transvaze das águas do Zêzere para o Alqueva. Criaríamos um novo problema, já que o nosso desígnio é, nos próximos anos, terminar as vias de acesso ao Futebol.

     Mas o alcance desta intervenção seria saboroso. Os motivos não são muitos. Criaríamos a grande oportunidade de ajudar, efectivamente, Espanha. Como? Através de uma contribuição ímpar no processo de reformulação do seu plano hidrológico, apresentando todas as oportunidades que se lhes criariam de controlar de vez o Guadiana. Bastava fechar a porta de entrada e estava criada a última oportunidade de eutrofizar qualquer coisa lá para o outro lado.

     A outra via seria uma visão com alcance milenar do que se pretende dos recursos hídricos e, em última instância, do Alqueva.

     A outra via não seria a configuração do maior lago da Europa para barcos de recreio, mas a criação de um espaço de excelência, para fins mais diversificados.

     Seria possível sustentar uma visão para um Além-Tejo mais rico. Mas, ainda assim, acreditamos que se tenham realizado estudos realistas e com características prospectivas, onde se definiram medidas e acções prioritárias para o desenvolvimento de uma região. Foram, sem sombra para dúvidas, envolvidos todos os interessados, particularmente os mais interessados. Acreditamos que estão devidamente identificadas todas as potencialidades do Alqueva, devidamente apresentados instrumentos de apoio e criadas formas objectivas de sustentar as iniciativas prioritárias daí derivadas para melhorar o bem estar social, em todas as dimensões, das populações da área geográfica de influência do Alqueva. Não acredite, do outro lado os estudos foram feitos e já “miram” o oásis!

      António Sérgio Damásio

 

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