RAPIDINHAS

por Joaquim Vieira

 

 

 

 

 

 

 

         
 
 

se eu fosse ave

voava o teu corpo

de lés a lés

           e

           fazia ninho

  no teu

    baixo

      ventre

doce e quente...

 

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

 

quem me dera ter

um pedaço

               do meu corpo

dentro do teu

               fechado

pela mágica do desejo

 

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

 

sinto os gritos

     do teu corpo

          nos meus olhos

as minhas mãos tremem

o teu rosto brilha

 

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

 

deixa Abril

        entrar-te pela

                     porta

na madrugada

                     dos corpos

               juntos

numa lânguidão

              sôfrega

a poesia não é sonho

é a realidade transformada

os corpos amam-se

              na poesia

                     dos corpos

 

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

 

esconder

    a minha face

nos teus seios

e dar-lhes uma torrente

                     de beijos

 

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

 

  baloiça o teu ventre!!!

reflectindo e andando

  p'ra esta vida me estou

                          cagando

e a cagar e a andar

  algum dia há-de passar

se passar... passou

  se não passar aqui estou

 

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

 

tenho o meu corpo

           deformado

           pelo vento do tempo

dos segundos

que dão minutos

dos minutos

que dão horas

das horas

que dão dias

dos dias

que dão semanas

das semanas

que dão meses

dos meses

que dão anos

e todos os anos

dão anús

e todos os anús

dão merda...

 

FAÇA O SEU COMENTÁRIO A ESTE TEXTO/ARTIGO